Skeleton Man / Skeleton Man (2004)

Durante meus estudos na biblioteca da mansão, percebo que a figura da Morte sempre foi muito cultuada pelo homem. Seja pelos seus poderes ou pela aparência, ela é uma figura amada por todos e odiada por quem é buscado por ela.

Descobri também um longa-metragem que traz a representação mais clássica da personagem (um carrasco em forma de esqueleto com uma capa preta) – mas como um antagonista totalmente sem sentido em um filme que pode ser a cura para a insônia de muita gente. Trata-se de Skeleton Man, filme para a TV feito em 2004 pelo canal Syfy, aquele que tinha tudo para ser genial e acaba sendo sempe motivo de piada.

A capa do DVD tenta vendê-lo como um filme sério, gore e assustador. Não caia nessa.

A trama (e acho que é uma ofensa chamá-la disso) é uma colcha de retalhos: um casal de arqueólogos pesquisa um cemitério indígena e é morto por um esqueleto misterioso envolto em uma capa negra – o Skeleton Man, nova “identidade” de Cottonmouth Joe, um índio que matou a própria tribo há algumas gerações. Em seguida, uma equipe militar parte para investigar o incidente e é eliminada – e ela é seguida por mais alguns soldados, tudo para aumentar a contagem de corpos.

Não existe nenhuma explicação lógica para o surgimento da criatura. Em duas cenas desfocadas e quase sem falas, vemos um índio fumando um cachimbo e aparentemente realizando um ritual, mas é impossível dizer quando aquilo ocorre, se ele é o Skeleton Man ou se a cena foi gravada separadamente e inserida em qualquer ponto do longa (meu palpite).

Sou bem mais o Esqueleto do He-Man.

O elenco conta com um pacotão de desconhecidos, incluindo Joey Travolta, um dos irmãos do astro de mesmo sobrenome. Michael Rooker, o Merle Dixon de “The Walking Dead”, e Casper Van Dien, protagonista de “Tropas Estrelares”, são os únicos que podem fazer você soltar um “Peraí, já vi esse sujeito em algum lugar”. O diretor, Johnny Martin, é experiente: 163 filmes no currículo…como dublê.

E as mortes, que poderiam salvar o projeto, são todas iguais: o soldado se separa do grupo para olhar para os lados, investigar um barulho ou amarrar o coturno (ok, essa eu inventei), não consegue achar os colegas, vê a criatura e é morto. É isso, multiplicado algumas vezes. O roteiro disso aí deve ter umas dez páginas, deve ser moleza achar espaço para ele aqui na biblioteca da mansão. O que varia é apenas a arma: há espadas, machados e um simples arco e flecha – e é com ele que o Skeleton Man tem uma de suas “melhores” cenas, quando derruba um helicóptero em pleno voo com uma flechada certeira na haste da hélice.

“Ah, não! Vou morrer e nem desenvolveram meu personagem ainda!”

O ato final do filme, caso alguém ainda não tenha se convencido naquela altura de que nada faz sentido, é em uma usina que parece ter brotado no cenário do filme – uma floresta no meio do nada. E é lá que dois soldados iguais aos demais, porém protagonistas, conseguem combater o inimigo de igual para igual, inclusive dando socos e pontapés no esqueleto, como se a criatura tivesse enfraquecido de propósito.

Com quase zero de sangue, uma história lenta e personagens desinteressantes, Skeleton Man é um tédio maior do que ler enciclopédias (e, acredite, tem uns malucos aqui na mansão que ainda emprestam alguns volumes). Aqui, você não torce nem para o vilão, nem para os mocinhos – só para que o filme acabe o mais rápido possível.

B½•••