A Bolha Assassina / The Blob (1958)

Aqui na mansão, meu trabalho às vezes envolve limpar sangue, tripas e outras coisas nojentas. Mas volta e meia também me deparo com criaturas esquisitas que vagam por aqui, daquelas que você não acredita nem vendo. A bolha assassina é uma delas.

Rosa, asquerosa e de movimentos assimétricos, a bolha é um dos monstros mais clássicos do cinema, apesar de pouca gente realmente ter visto algum longa estrelado por ela. O “The Blob” original, dirigido por Irvin Yeaworth, é um grande exemplo daqueles filmes despretenciosos e baratos que, de alguma forma sobrenatural, tornam-se clássicos cult.

O longa custou apenas US$ 240 mil e pagou apenas US$ 3 mil ao seu astro principal, um ainda anônimo Steve McQueen, mas deu sorte de ter uma distribuição a cores e a partir da Paramount Pictures, que colocou “A Bolha Assassina” em uma sessão dupla com o longa de título sensacional “I Married a Monster From Outer Space”. Nada mais justo.

Cuidado com a bolha!

Antes mesmo de tudo começar, vale um destaque para a canção de abertura, “Beware of the Blob”, de Burt Bacharach, que é uma mistura de trilha de elevador com surf music – nada coerente com uma película de horror, mas bem divertida. Cantarolei ela o dia inteiro durante a faxina aqui na mansão.

Continuando: o filme começa com Steve McQueen (com o criativo nome de Steve) e sua namorada Jane (o clichê de mocinha pura, casta e virgem) se agarrando no carro, quando uma “estrela cadente” cai próximo dali. Na verdade, a tal estrela era um meteorito – e dentro dele está a grande estrela do filme, que já começa consumindo lentamente um pobre fazendeiro e parte para mais vítimas.

A Bolha!

Ao ver a bolha, a única reação é ficar parado.

Mais para frente na história, Steve, Jane e alguns amigos do casal começam a caçar a criatura, que continua vagando pela cidade atrás de mais comida. A cena mais clássica é a do cinema: em uma metalinguagem fantástica, a bolha assassina ataca o projetista e começa a invadir a sala, obrigando todos os espectadores a saírem desesperados pela porta do local. Isso provavelmente atirando pipocas e refrigerantes para o alto…que bagunça! Coitado do zelador de lá!

Corram por suas vidas!

Se você reparar na cena em vídeo, alguns figurantes estão dando risada.

O filme tenta estabelecer um suspense, ao mostar a bolha crescendo lentamente, na medida em que vai absorvendo mais gente. Não é tão eficiente, mas acaba dando um dinamismo maior para a trama, que passeia por várias localidades.

Mas talvez o maior problema do filme seja o envelhecimento: o clima dos filmes nos anos 1950 era outro. O negócio demora demais para esquentar. É muita investigação e diálogos intermináveis…e nós queremos ver a bolha assassina assassinando alguém! E quando chega o clímax, que começa no cinema e parte para uma lanchonete inteira sendo engolida pelo monstro, o negócio esfria de novo e acaba de uma maneira seca e com pouca emoção.

E Steve McQueen destoa absurdamente dos demais atores. Ele ainda não era uma estrela e faz um papel de um jovem bem canastrão e simplista, mas é o suficiente para bater os demais personagens do filme.

Steve McQueen

Steve McQueen, ainda um ilustre desconhecido.

Ainda assim, vale muito a pena conhecer “A Bolha Assassina”, um filme original, criativo e, dentro de suas limitações de filme B, muito bem desenvolvido.

A expansão

O sucesso da criatura foi tão grande que a bolha cresceu e cresceu. Em 1988, um remake mais pop foi feito, com efeitos especiais modernos e sangue para todo o lado. Mas antes disso, em 1972, uma comédia chamada “Beware! The Blob” saiu sem atingir grandes feitos. Um novo remake estava sendo produzido atualmente, até que Rob Zombie, encarregado da direção, pulou fora e deixou o longa no limbo.

A Bolha!

O grande astro do filme.

E o negócio não ficou só no cinema: Phoenixville, na Pensilvânia, realiza todos os anos a BlobFest, um festival com decorações, lembranças e recriações de cenas do filme original, como a fuga desesperada do cinema, filmada em um local ainda existente na cidade. Mas essa história o James Rolfe, do Cinemassacre, conta muito melhor que eu no minidocumentário  Blob Town.

Nota: BBB½