O Chamado de Cthulhu / The Call of Cthulhu (2005)

Cthulhu Fhtagn!

Boa tarde pacientes. Aguardando sua anestesiante dose de filmes B ?

Existiu um tempo em que eu era um cirurgião renomado e muito conhecido mundialmente. Porém, depois de entrar em contato com os Mitos de Cthulhu, minha sanidade ficou seriamente abalada, obrigando-me a um retiro forçado aqui na mansão.

Estou bem agora: passei a estudar livros antes inacessíveis que encontro na biblioteca empoeirada, vejo filmes aterrorizantes de qualidade duvidosa e conduzo experimentos científicos em alguns dos habitantes da casa.

Mas vamos ao trabalho!

O Horror em Película

Após uma série de fracassos dos grandes estúdios cinematográficos em explorar o universo criado por H. P. Lovecraft em seus contos, o caos do universo e a pequenez humana perante os deuses alienígenas, um grupo de fãs dedicados resolveu converter para as telas um dos contos mais famosos do escritor, da forma que acharam mais adequada.

O filme foi produzido pela Sociedade Histórica H. P.  Lovecraft (HPLHS, sigla no original), sendo lançado em 2005. Foram mais de dois anos de um trabalho bastante elaborado e com um orçamento muito baixo, em torno de US$ 50.000,00, para produzir “a tentativa de adaptação para cinema mais fiel e autêntica dos contos de Lovecraft”, de acordo com os produtores.

Nenhum efeito realizado por computador, a produção foi filmada com uma técnica denominada por eles como “Mythoscope” (junção de técnica modernas e antigas). Além disso, filme mudo e em preto-e-branco não parece muito bom para os padrões atuais, não é? Todavia, como o conto original foi lançado em 1926, a HPLHS preocupou-se em tentar reproduzir a visão do autor e da época, realizando toda a filmagem como se fosse uma produção dos anos 20, com som orquestrado, sem diálogos entre as personagens (somente aqueles cartões com texto entre uma imagem e outra), animação com stop-motion, usando maquetes e miniaturas de barcos, por exemplo.

O roteirista Sean Branney alterou um mínimo do conto original, enquanto o diretor Andrew Leman conduziu muito bem os atores para formar a melhor reprodução possível de uma obra de Lovecraft já realizada.

A Narrativa do Inspetor Cirurgião

A história do filme é fiel ao conto. Divide-se em três partes distintas, a primeira mostrando como, em 1926, o protagonista recebe papéis e obetos de herança do seu tio-avô, Prof. Argell, um importante estudioso de línguas antigas, recém-falecido. Ao examiná-los, encontra uma caixa fechada. O conteúdo dessa caixa — uma figura de barro, anotações, papéis e recortes de jornal — instiga o rapaz a procurar entender o motivo da obsessão de seu tio, forte a ponto de proteger o conteúdo dessa forma.

Loucura!

Loucura no Asilo Arkham!

À medida que aprofunda-se na pesquisa, a série de acontecimentos e coincidências começam a fazer o rapaz, que questionava a sanidade de seu tio, questionar a sua própria. O foco maior dessa parte da história está no jovem artista Wilcox e seu encontro com Prof. Argell, tentando entender e curar os pesadelos que o assombram noite após noite por um período de tempo específico.

A segunda parte trata de um encontro entre o prof. Angell e um oficial de polícia, o inspetor Legrasse, em 1908. O oficial estava atrás de pessoas com habilidade para ler as inscrições de uma estatueta encontrada com um grupo de cultistas assassinos, em Nova Orleans. Esta é a melhor parte do filme, certamente a luta entre os policiais e os cultistas será lembrada por muito tempo.

O velho Castro

O velho Castro

Um dos cultistas menos insanos, o velho Castro, é o responsável por explicar à Legrasse muitas das informações que chegaram mais tarde, por intermédio dele, ao Prof. Angell.

A terceira parte trata da experiência do marinheiro norueguês Johansen, que fora encontrado à deriva em um barco, junto com um companheiro morto há pelo menos uma semana. Descobrindo por acaso um recorte de jornal com a história assustadora, o protagonista sai em busca do marinheiro e, por fim, consegue com a esposa do já facelido Johansen, uma carta em inglês com os detalhes da medonha expedição à ilha de R’yleh e de seu encontro com Cthulhu. A representação da ilha, cheia de ângulos possíveis e indescritíveis, é certamente merecedora de destaque na produção.

Estátua na ilha de R'yleh

Aviso para quem se aventura em R'yleh!

A Loucura Vinda do Mar, dos Livros e dos Filmes

Cthulhu Vive!

Cthulhu Vive!

Cuidados para manter a sanidade perdida:

  1. A editora Hedra lançou recentemente o livro O Chamado de Cthulhu e Outros Contos, uma coletânea que traz, além do conto famoso de Lovecraft, uma série de textos que abrange todo o período de produções do escritor, além do inédito “A música de Erich Zann”.
  2. A HPLHS já está trabalhando num segundo filme do universo lovecraftiano, The Whisperer In The Darkness. Baseado em outro conto, dessa vez não será mudo, porém o Mythoscope continua ativo.

Esperamos logo poder resenhar também essas obras por aqui. Enquanto isso, lembrem-se: Cthulhu aguarda dormindo!

Nota: BBBBB