O Monstro do Armário / The Monster in the closet (1986)

Clark e o monstro

Antes de mais nada, não: o filme não é sobre um monstro que sofre para assumir a sua homossexualidade. Também não é nenhuma metáfora ao movimento de libertação sexual que se deu em São Francisco, cidade onde, por acaso, também se passa parte do filme. Mesmo assim, muitas cenas poderiam ser usadas como propaganda para o “coming out”.

Enfim, bobagens à parte, acho que pastiche é a palavra-chave para esta pérola, já que o filme é uma grande tiração de sarro dos sucessos de monstros e terror das décadas anteriores.

Percebi também uma referência à Psicose (1960), durante o banho de uma das personagens. E pode ser que eu esteja viajando, mas achei o Dr. Pennyworth muito parecido fisicamente com Albert Einstein e, o jornalista fracassado da história, Richard Clark, me lembrou outro Clark famoso, o Kent, alterego do Homem de Aço.

O elenco do filme não é fraco, mas as interpretações são bem exageradas, como as características dos personagens: o cientista é maluco e cheio de manias, o militar quer explodir tudo, o padre quer salvar qualquer criatura de Deus e o jornalista fracassado conquista o mundo cada vez que tira os óculos.

O Monstro do Armário, de 1986

Entre os atores famosos estão John Carradine e, pasmem, Stacy Fergunson: a Fergie, do grupo Black Eyed Peas. Eu não reconheci ela durante o filme, então tive que caçar uma imagem dela no papel de Lucy:

Participação especial de Fergie

A história se desenrola quando Richard Clark, responsável pelo obituário do jornal para o qual trabalha, recebe do chefe e de um colega sacana, uma pauta misteriosa: corpos têm sido encontrados dentro de armários de roupas, sempre com dois furos característicos.

Durante as investigações, Clark conhece a Professora Diane Bennett, que opina cientificamente sobre as mortes mas, imitando a vida real, é ridicularizada pelas autoridades que não conseguem entender o que ela está dizendo.

O filme é uma sátira do começo ao fim: há o tradicional aparecimento do monstro, do desconhecido, seguido da discussão fé vs. razão, que depois é substituída pela ameaça de militares armados até os dentes. O final, é claro, também parodia as soluções esquisitas e risíveis encontradas em muitos filmes do gênero.

Nota: BBB••

Agradecimentos especiais ao Wikerson, do Portal de Cinema, que me emprestou o filme e, de brinde, fez com que eu me lembrasse de como era a qualidade de vídeo de um VHS.