Hello, boils and ghouls!

Sejam bem-vindos à Mansão B. Aqui, o execrando leitor e a abominável leitora poderão encontrar resenhas e dicas de filmes e literatura que de alguma forma dialogam com os clássicos que, de tão ruins, chegam a ser bons.

Junto com a ideia de construir este canto na internet, surgiu uma preocupação que tomou conta das nossas mentes: afinal, o que é um filme B? Aquele título famoso entra ou não entra na classificação? É claro que a produção B tinha a ver com os baixos recursos para a produção dos filmes, mas como ela surgiu?

Consultando a biblioteca sombria de nossa casa, encontramos o volume de A outra face de Hollywood: Filme B, escrito por A.C. Gomes de Mattos. Nele constatamos que a classificação dos filmes entre A e B , surgiu com as sessões duplas de cinema, criadas pela indústria norte-americana nos anos 30 como uma forma de lidar com a crise econômica que vinha afastando o público das salas de cinema.

Nessas sessões, dois filmes eram exibidos, um principal, com uma produção mais cara, caprichada e com atores famosos, e uma atração menor, produzida com poucos recursos e num período muito curto de tempo, o que impossibilitava a regravação das cenas. O tempo de duração dos filmes também divergiam, o título principal, o filme A, era maior do que o filme secundário, o B.

A regra variava, as sessões dual, como eram chamadas, também podiam muito bem exibir dois filmes de orçamento médio ou até mesmo dois filmes B, acompanhados de um curta-metragem ou trailers de outras produções.

O volume indicado pelo Bibliotecário, sujeito sisudo e severo que mantém a ordem na sala de leitura da nossa mansão, descrevia também outras características da indústria, mas o que nos chamou a atenção naquela sala pouco iluminada e silenciosa como o espaço sideral foram as categorias de filmes B existentes: western, noir, filmes de exploração, cinema negro, cinema ídiche, seriados. Um bestiário inteiro, com espécimes das quais nunca daremos conta.

Mas é claro que temos nossas preferências, e é sobre elas que falaremos aqui: filmes de terror, ficção científica e fantasia. De preferência os mais podres, os mais baratos, os mais insanos e, é claro, os mais sangrentos. E como proprietários da nefasta casa em que você pisa agora, nos damos o direito de cometermos exceções e acabarmos dissecando também obras que podem fugir do conceito de filme B, mas que de alguma forma nos remete a esses tesouros malditos, como por exemplo, remakes modernos em 3D, que frequentemente nos causam desgosto.

A literatura e outras áreas de culto ao cinema B também serão abordadas: livros, quadrinhos, zines, poemas, brinquedos, instrumentos de tortura.

Esperamos que você aproveite a estadia. A nossa casa também é sua. Mas é bom se comportar. Você não vai querer ver o Zelador bravo, vai?